Prefeitura inaugura Memorial Djanira
Publicado por Marcelo em 13 de Abril de 2008
Depois da reinauguração do Cineclube (CAC), o cenário cultural da Estância Turística de Avaré ganhou um novo ambiente: o “Memorial Djanira da Motta e Silva”. A inauguração aconteceu na noite de quarta-feira, 2 de abril, no Centro Cultural Djanira da Motta (antiga Caic), onde foi instalado o Memorial em homenagem à esta artista avareense renomada internacionalmente.
Para o Memorial, a secretaria de Cultura e Lazer, com total apoio da Prefeitura de Avaré, buscou e conseguiu a volta dos bens pessoais da artista, doados para o município pela herdeira Rachel da Motta e Silva em fevereiro deste ano. O ato solene para assinatura do contrato de doação do acervo para o município aconteceu no dia 27 de fevereiro. Além dos bens materiais, Avaré também conquistou os direitos autorais e autorização de uso dos direitos de personalidade de Djanira da Motta e Silva. No dia 28 de fevereiro, chegou o veículo que transportou o acervo pessoal da pintora Djanira do Rio de Janeiro até Avaré, trazendo 187 peças, entre pincéis, tintas, avental, saia e vestido que Djanira usava, ambos com manchas de tintas, recipientes, palheta, o primeiro cavalete, instrumentos musicais, publicações e vídeos em película.
Toda negociação e o translado do acervo foram acompanhadas pelo ex-secretário municipal de Cultura e Lazer, Marcelo Ortega (DEM), autor do projeto de criação do Memorial Djanira, com o apoio do prefeito Joselyr Benedito Silvestre (PSDB). Assim que o acervo chegou em Avaré, os objetos foram acomodados numa sala com segurança no campus da FSP (Faculdade Sudoeste Paulista), que desempenhou um grande papel em prol da cultura avareense ajudando a catalogar os objetos.
A organização do Memorial Djanira foi feita por um grupo de apoio coordenado pela arquiteta Cândida de Arruda Botelho e composto por Rosane Gauss, Suad Aurane, Vera Lutti, Maria Eliza Martins, Carlos Eduardo Telles de Menezes, Isilda Maria Rodrigues, Gesiel Junior, Elias de Almeida Ward e o pelo ex-secretário Marcelo Ortega.
Os móveis para acomodação das peças foram confeccionados especialmente para expor os documentos pessoais, fotografias, diplomas, homenagens e poesias escritas por Djanira. Cores que a artista usava em seus quadros serão aplicadas no ambiente. O grupo de apoio se preocupou em dispor as peças da mesma forma que estavam na casa da artista no Rio de Janeiro.
“Além do bem material, que hoje faz referência direta à Djanira, se Avaré souber usar esse potencial, transformará o Memorial num turismo cultural sem precedentes. Espero que o próximo secretário e o grupo que assumirá a pasta da Cultura saibam usar esse mecanismo que vai levar o nome de Avaré para todo o Brasil. Todos nós em Avaré ganhamos um importante aparelho cultural. Para muitos, a inauguração do Memorial Djanira representa a realização de um sonho. Para mim, além de um sonho, quer dizer missão cumprida”, discursou Marcelo Ortega, orgulhoso de seu trabalho.
Ao fazer uso da palavra, o prefeito Joselyr elogiou o trabalho desenvolvido por Marcelo ao longo destes meses em que esteve à frente da secretaria de Cultura, onde pôde desenvolver inúmeros projetos, entre eles a reinauguração do Cineclube, a inauguração do Memorial Djanira e a 25ª Fampop, onde conseguiu resgatar as origens do festival mais tradicional da música popular brasileira na região. “Parabéns pelo seu trabalho, por sua dedicação, Marcelo. Muitos dizem que o prefeito não trabalha, não se dedica à cultura, mas isso não é verdade, porque temos 15 secretarias, e são 15 áreas de trabalho. A Cultura, assim como as demais secretarias, depende do trabalho dos secretários que são cobrados por mim. Quando fui candidato, fiz meu plano de governo para cada secretaria. Se formos ver o meu plano para a secretaria de Cultura, vocês verão que estamos realizando aquilo que estava previsto”, disse Joselyr.
Prêmio Djanira Motta - Mulher de Negócios – Na solenidade da inauguração do Memorial Djanira, o Sebrae de Avaré entregou o “Prêmio Djanira Motta - Mulher de Negócios”.
Em parceria com a Prefeitura de Avaré, através da secretaria de Cultura, o Sec (Sindicato dos Empregados no Comércio) e a Acia (Associação Comercial Industrial e Agropecuária de Avaré), o Sebrae de Avaré lançou o “Prêmio Djanira Motta Mulher de Negócios” em comemoração aos 10 anos do posto do Sebrae de Botucatu. Mulheres que são exemplos de empreendedorismo ou empresárias, maiores de 18 anos, podiam concorrer ao prêmio, preenchendo a ficha de inscrição com um breve relato contando sua trajetória empreendedora.
Após visita às semi-finalistas para conhecer melhor a realidade de suas histórias e sua atuação na empresa, os integrantes da comissão julgadora escolheram, em 3º lugar, Aline Harder, a jovem proprietária da Harder Skate Line. O 2º lugar ficou com a empresária Aparecida Gonçalves Costa, da Visual Confecções. A história de Vera Lucia Lopes Duarte, proprietária da rede de supermercados Saladão, foi a mais comovente na opinião da comissão julgadora e ficou com o “Prêmio Djanira Motta - Mulher de Negócios”. “Fiquei muito orgulhosa! Para mim foi surpreendente ter recebido o prêmio. Não esperava que eu fosse a escolhida, porque tem tantas outras histórias interessantes, tantas mulheres batalhadoras e com garra. É uma alegria muito grande ter sido reconhecida pela minha luta, aliás, pela nossa luta, minha, do meu marido Jair, e de nossa família. Estou muito feliz!”, disse Vera emocionada.
Vera recebeu um troféu personalizado desenvolvido pela secretaria de Cultura e uma bolsa integral cedida pelo Sebrae, para o Seminário Empretec durante o ano de 2008.
Quem é Djanira?
Nascida em Avaré no dia 20 de junho de 1914, Djanira da Motta e Silva é um dos maiores nomes da pintura nacional do século 20. Filha de pai de origem indígena e de mãe descendente de austríacos, passou parte da infância na divisa do Paraná com Santa Catarina.
Jovem, trabalhou nos cafezais de Avaré antes de mudar-se para São Paulo no começo dos anos 30. Para curar-se de tuberculose, aos 25 anos foi para o Rio de Janeiro, onde aprendeu noções de arte com o pintor romeno Emeric Marcier.
Dona de uma intuição criativa, sua pintura evoluiu porque ela passou a pintar cenas que mostram os costumes, paisagens e festas populares do Brasil. Fez sua primeira mostra no Rio, em 1942.
Apoiada pelo grande pintor Cândido Portinari foi para os EUA, expondo obras em Nova York. De volta ao Brasil, percorre o país pesquisando e pintando temas nacionais. Expôs em países da Europa e das Américas. Mulher de saúde frágil, sofreu 18 cirurgias, mas jamais desistiu de trabalhar.
Primeira mulher da América Latina a ter um quadro exposto no Museu de Arte Moderna do Vaticano, ela recebeu em 1972 comenda do Papa Paulo VI. Religiosa, adotou o hábito de leiga da Ordem Terceira Carmelita, com o nome de irmã Teresa do Amor Divino, pessoalmente escolhido.
O caminho de Djanira – falecida em 31 de maio de 1979 – é tão amplo que sua obra pode ser considerada como uma crônica do Brasil. Por isso Djanira é considerada a mais autenticamente brasileira das nossas pinturas.
por Gesiel Junior, biógrafo da pintora autor dos livros “História de Djanira Brasileira de Avaré” (2000) e “Contando a Arte de Djanira” (2004)